Para onde vão as coisas das quais você gostava? Os cheiros, os sabores, os pavores...
Onde eu guardo suas manias que ficaram? Porque foi-se a vida, mas a matéria é resistente. A matéria se agarra no tapete onde você brincava; no último degrau da escada onde você ficava. A matéria fica na panela meio cheia da sua água; no quintal meio vazio das suas ladradas...
Para onde vão suas histórias? Seu começo, nosso encontro, seus passeios engraçados? Onde foram parar nossos olhares que hoje, subitamente se viram, mas não se cruzaram?
Em que esquina ficaram suas pegadas? As mais rápidas, as corridas... depois as mais fatigadas? Como é que passaram mais depressa os anos que você tinha, do que o tempo que temos nós, seus humanos, amigos, frágeis dependentes da sua presença?
Onde é que vamos depositar nosso afeto descabido, nosso amor imenso e desmedido?
Em que imagem perdeu-se sua vista? O que você mirava, quem procurava, o quanto sofria? Onde é que eu estava nessa hora, que não lhe fiz um carinho na barriga? Quais eram meus horários, minhas pressas, compromissos, que me privaram de mais uns instantes na sua companhia?
O que você me dizia, pela tarde, ao me chamar insistentemente enquanto eu comia? Era fome? Ou era despedida?
Para onde foram as risadas que você provocava? Seu sono menos profundo, sua doçura, sua tranqüilidade? Quem vai ocupar o vazio na entrada da casa, a observar o movimento na rua? Quem vai me receber diariamente, com demonstrações tão infantis e sinceras de felicidade?
Quem vai ocupar o tamanho dos meus braços quando eu quiser um carinho ingênuo e imenso como o que você me dava?
E quando pela madrugada cair uma forte chuva, com o que é devemos nos preocupar? Não precisamos pegar a toalha, abrir as portas, portões, cadeados. Você não vai estar lá.
Onde eu guardo suas manias que ficaram? Porque foi-se a vida, mas a matéria é resistente. A matéria se agarra no tapete onde você brincava; no último degrau da escada onde você ficava. A matéria fica na panela meio cheia da sua água; no quintal meio vazio das suas ladradas...
Para onde vão suas histórias? Seu começo, nosso encontro, seus passeios engraçados? Onde foram parar nossos olhares que hoje, subitamente se viram, mas não se cruzaram?
Em que esquina ficaram suas pegadas? As mais rápidas, as corridas... depois as mais fatigadas? Como é que passaram mais depressa os anos que você tinha, do que o tempo que temos nós, seus humanos, amigos, frágeis dependentes da sua presença?
Onde é que vamos depositar nosso afeto descabido, nosso amor imenso e desmedido?
Em que imagem perdeu-se sua vista? O que você mirava, quem procurava, o quanto sofria? Onde é que eu estava nessa hora, que não lhe fiz um carinho na barriga? Quais eram meus horários, minhas pressas, compromissos, que me privaram de mais uns instantes na sua companhia?
O que você me dizia, pela tarde, ao me chamar insistentemente enquanto eu comia? Era fome? Ou era despedida?
Para onde foram as risadas que você provocava? Seu sono menos profundo, sua doçura, sua tranqüilidade? Quem vai ocupar o vazio na entrada da casa, a observar o movimento na rua? Quem vai me receber diariamente, com demonstrações tão infantis e sinceras de felicidade?
Quem vai ocupar o tamanho dos meus braços quando eu quiser um carinho ingênuo e imenso como o que você me dava?
E quando pela madrugada cair uma forte chuva, com o que é devemos nos preocupar? Não precisamos pegar a toalha, abrir as portas, portões, cadeados. Você não vai estar lá.
Para onde foram, meu anjinho, seus brinquedos mais divertidos, que hoje você não quis me mostrar?