segunda-feira, 30 de julho de 2012

A realidade dos fatos



É como pular numa piscina vazia, achando que tinha água. Ou como nadar por anos num oceano, e descobrir que era um aquário. Qualquer metáfora desse tipo serviria para o dia de hoje.

No amor também acontece. Você compra gato por lebre, e acredita sempre na palavra. Depois acaba e não tem contrato. Você é convidado a sair, com justificativas que normalmente não concorda. Mas sai. Sai porque não tem outro jeito.

E olhando de fora é claro que fica tudo muito óbvio. Desde sempre te alertaram que o terreno não era seguro, e que pessoas que trabalham com números normalmente te enxergam como uma equação. Elas resolvem o seu xis e pronto.

É um pouco também de terrorismo. Do tipo, colocam você sozinha no escuro. E riem. E te chamam de burra. E fazem piada machista. Te sugerem gentilmente que você suma do mapa, ou o crocodilo será solto nesse seu escuro patético.

Aliás, tudo isso é patético.

É que nem gastar milhões numa bolsinha falsificada.

É que nem chegar na Igreja e ouvir um NÃO - justamente hoje eu deixei de te amar, acredita?! Mas de repente, sei lá, você pode ir pra China, trabalhar num circo e encontrar um novo amor.

Oi?! Repete, por favor, que o seu discurso/palestra não fez muito sentido.

Por isso que a dança é legal, sabe. Ela é legalmente legal! E ela não te promete nada! E nem manda motoboy buscar seu cheque. Ela te deixa entrar e te oferece um cafezinho simples. A dança é bem mais transparente.

Mas tudo bem. Nem tudo foi mentirinha. E tem outras piscinas, outros oceanos, outros amores. Sempre vai ter uma equação mais humana e um crocodilo menos faminto.

Quer dizer, na real sempre vai ter um babaca querendo te comer.



*Este pequeno texto foi escrito após uma situação injusta e abusiva de trabalho, cuja empresa já foi processada. Um ano depois recebi meus direitos trabalhistas. A empresa está prestes a falir.