A terapia da estrada vazia consiste na pura observação das coisas e do tempo das coisas. E também da matéria delas. Consiste em deixar-se sentar à janela do mundo, e calar um momento, perplexo, atento, de olhos transeuntes pelas árvores, pelos morros e pela neblina. O amanhecer da estrada é alaranjado, e passa. As montanhas surgem pequenas, agigantam-se com a sua chegada e se recolhem, tímidas, às suas costas. Nada permanece.
A terapia da estrada vazia permite que enxerguemos a temporalidade da vida. Você não é o mesmo antes e depois do pasto, antes e depois da ponte, dos pássaros, do cachorro morto no canto do asfalto. Sensações invadiram seu corpo, imagens foram registradas, imagens foram resgatadas, seus cabelos mudaram de lugar.
Ninguém chega a lugar nenhum sendo o mesmo da hora da partida. Pessoas passaram por você e outras te acompanharam. A previsão do tempo estava errada. Choveu quando você esperava que o sol ardesse; Esquentou quando você esperava que esfriasse; Um amor acabou quando você acreditava que ele sobrevivesse; Alguém te chamou quando você se acostumava com a saudade. Os vinte e cinco anos te chegaram, a fila andou mais depressa, o verão acabou. O tempo passou diferente do que você imaginava, e mais uma vez a previsão estava errada.
A terapia da estrada vazia consiste nessa grande descoberta. Consiste em aceitar ou, se não aceitar, pelo menos constatar que tudo é passageiro. Consiste num instante de concentração absoluta e solitária; Num encantamento e num silêncio interno. Consiste em ter um segundo dedicado às flores de beira de estrada; ao céu movimentado; à beleza da imensidão e ao abandono dos acostamentos. A terapia da estrada vazia permite que você repare que a estrada nunca está realmente vazia; Você é que calou um momento, perplexo, atento, de olhos transeuntes pelas árvores, pelos morros e pela neblina. Você é que optou por adormecer mais tarde; por viver de passagem; por reparar na distância.
Mas distanciar-se tem suas vantagens. Sentar-se na platéia e olhar de longe para ter a dimensão total do espetáculo. Ver. Assimilar. Concluir. Há paisagens muito esclarecedoras do lado de lá da janela.
A terapia da estrada vazia permite que enxerguemos a temporalidade da vida. Você não é o mesmo antes e depois do pasto, antes e depois da ponte, dos pássaros, do cachorro morto no canto do asfalto. Sensações invadiram seu corpo, imagens foram registradas, imagens foram resgatadas, seus cabelos mudaram de lugar.
Ninguém chega a lugar nenhum sendo o mesmo da hora da partida. Pessoas passaram por você e outras te acompanharam. A previsão do tempo estava errada. Choveu quando você esperava que o sol ardesse; Esquentou quando você esperava que esfriasse; Um amor acabou quando você acreditava que ele sobrevivesse; Alguém te chamou quando você se acostumava com a saudade. Os vinte e cinco anos te chegaram, a fila andou mais depressa, o verão acabou. O tempo passou diferente do que você imaginava, e mais uma vez a previsão estava errada.
A terapia da estrada vazia consiste nessa grande descoberta. Consiste em aceitar ou, se não aceitar, pelo menos constatar que tudo é passageiro. Consiste num instante de concentração absoluta e solitária; Num encantamento e num silêncio interno. Consiste em ter um segundo dedicado às flores de beira de estrada; ao céu movimentado; à beleza da imensidão e ao abandono dos acostamentos. A terapia da estrada vazia permite que você repare que a estrada nunca está realmente vazia; Você é que calou um momento, perplexo, atento, de olhos transeuntes pelas árvores, pelos morros e pela neblina. Você é que optou por adormecer mais tarde; por viver de passagem; por reparar na distância.
Mas distanciar-se tem suas vantagens. Sentar-se na platéia e olhar de longe para ter a dimensão total do espetáculo. Ver. Assimilar. Concluir. Há paisagens muito esclarecedoras do lado de lá da janela.
*Imagem da estrada de Nunspeet para Valkenberg - Holanda. Uma estrada realmente esclarecedora...
pronto!!! você entendeu o que é ter pela frente uma estrada vazia e atravessá-la é enxergar a temporalidade da vida.
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