Hoje pela tarde todos os casais estavam aos prantos. Todo calor dos dias anteriores; todas as redes para descanso; todos os ventos deixaram lembranças. Todos os beijos se puseram atrás da montanha, e também por isso choravam os casais.
Hoje dormiram cedo e sozinhos os homens das moças. E as moças respiraram fundo procurando o perfume dos homens. As casas silenciaram tristes; nos quartos caíram as temperaturas. Todos os ventiladores foram desligados e todos os sons se fizeram calar - em respeito ao pranto de todos os casais.
Hoje dormiram cedo e sozinhos os homens das moças. E as moças respiraram fundo procurando o perfume dos homens. As casas silenciaram tristes; nos quartos caíram as temperaturas. Todos os ventiladores foram desligados e todos os sons se fizeram calar - em respeito ao pranto de todos os casais.
Nos quintais não houve tanta conversa; nos fogões, nenhuma panela, e até a lua que andava extravagante, desinibida... (Até a lua!) que vinha se exibindo sem modéstia, recolheu-se. Trajou uma grande sombra, deixando aparecer um cantinho de si vez ou outra, bem discreto, que é por onde espiava a tristeza dos casais.
Se alguém entrasse pela porta, ainda sentiria o vapor do ultimo banho, mas nada haveria além de uma densa solidão. As janelas foram abertas para arejar o amor que ficara. Havia amor acumulado nos cantos, nos quadros, nas mesas. Amor em pó; amor vencido, de ontem, de anteontem, do íntimo passado. Tinham que ser vividos logo depois de abertos... Mas eram tantos! Eram tantos amores que os casais não deram conta. Dormiram um pouco a mais no domingo; estranharam-se um pouco na segunda; e nisso sobrou amor. Amor que tinha que ser constantemente devorado, sem descanso, porque a cada segundo o amor multiplica e passa a ser tão grande que só lhe resta o enterro gélido do desperdício.
Os casais ainda estavam amolecidos de água de mar. A pele ainda estava salgada; os cabelos desordenados pelos ventos indecisos da praia. Os morangos estavam nas compotas, esperando por serem mordidos. Ainda estava tudo recém-deixado-pra-trás. E os casais lamentavam, separados, o tempo reservado ao namoro no sofá que não fora de todo gasto. Os casais estavam saudosos das possibilidades. Mesmo que não fossem despertar com os pássaros para viverem passeios místicos; mesmo que não fossem caminhar até a ponta extrema do Ribeirão da Ilha, mesmo que nada fizessem... Estavam saudosos de poder. Estavam juntos e podiam, diante de todas as cartas, optarem por se afastar da fogueira, da roda, dos presentes, e se amarem num beco qualquer.
Mas hoje já era essa vírgula indesejada, esse soluço, essa fita parada. Os casais estavam suspensos num silêncio inconveniente. Algo semelhante à pausa dos horários políticos. Estavam todos entediados, impacientes e chorosos, esperando que recomeçasse a novela; que as bocas se reencontrassem; que finalmente a angústia acabasse na cara ou na coroa dos aeroportos.
Hoje pela tarde todos os casais estavam aos prantos, de olho nos medidores de saudade. Calendários nas mãos, relógios nos punhos.
Cabe muito amor num intervalo de dois.
Se alguém entrasse pela porta, ainda sentiria o vapor do ultimo banho, mas nada haveria além de uma densa solidão. As janelas foram abertas para arejar o amor que ficara. Havia amor acumulado nos cantos, nos quadros, nas mesas. Amor em pó; amor vencido, de ontem, de anteontem, do íntimo passado. Tinham que ser vividos logo depois de abertos... Mas eram tantos! Eram tantos amores que os casais não deram conta. Dormiram um pouco a mais no domingo; estranharam-se um pouco na segunda; e nisso sobrou amor. Amor que tinha que ser constantemente devorado, sem descanso, porque a cada segundo o amor multiplica e passa a ser tão grande que só lhe resta o enterro gélido do desperdício.
Os casais ainda estavam amolecidos de água de mar. A pele ainda estava salgada; os cabelos desordenados pelos ventos indecisos da praia. Os morangos estavam nas compotas, esperando por serem mordidos. Ainda estava tudo recém-deixado-pra-trás. E os casais lamentavam, separados, o tempo reservado ao namoro no sofá que não fora de todo gasto. Os casais estavam saudosos das possibilidades. Mesmo que não fossem despertar com os pássaros para viverem passeios místicos; mesmo que não fossem caminhar até a ponta extrema do Ribeirão da Ilha, mesmo que nada fizessem... Estavam saudosos de poder. Estavam juntos e podiam, diante de todas as cartas, optarem por se afastar da fogueira, da roda, dos presentes, e se amarem num beco qualquer.
Mas hoje já era essa vírgula indesejada, esse soluço, essa fita parada. Os casais estavam suspensos num silêncio inconveniente. Algo semelhante à pausa dos horários políticos. Estavam todos entediados, impacientes e chorosos, esperando que recomeçasse a novela; que as bocas se reencontrassem; que finalmente a angústia acabasse na cara ou na coroa dos aeroportos.
Hoje pela tarde todos os casais estavam aos prantos, de olho nos medidores de saudade. Calendários nas mãos, relógios nos punhos.
Cabe muito amor num intervalo de dois.
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