sábado, 25 de setembro de 2010

As Horas

Dias assim foram feitos para corações em paz.
A mansidão de uma digestão leve;
O descansar na rede;
A leitura dedicada.

Corações em paz dão-se ao luxo do tédio;
Dos domingos dentro de casa
E de uma conversa brejeira em plena cidade grande.

Eu os invejo.
Almejo as horas vazias da tarde.
Eu, que tenho um coração aflito.
Eu, que me ocupo de coisas que já foram feitas,
E as refaço.

A aflição me pede volumes mais altos;
Preocupações de gravidade aguda,
E a exaustão física.

Ou então me obriga a ter sono leve.

Tanto os filmes
Como as calçadas
E também a beleza dos finais de tarde
Só foram feitos para os corações em paz.

Um comentário:

  1. Oi Flavia, gostei muito da sua poética neste poema. Tem muita força lírica ao falar do cotidiano. Lindo.

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