sábado, 22 de setembro de 2012

Quando a Primavera não veio



Hoje eu esperei pela Primavera, mas ela não chegou. Nenhuma flor nasceu. Mas ela disse que vinha - eu me lembro; Era cedo ainda quando me avisou.

Eu cheguei a imaginar o perfume da sua visita. Eu cheguei a senti-la perto... Cheguei a tocar uma pétala solta que logo o vento se encarregou de levar. E quando eu a vi, soube que era mulher. Ela era o caminho do meio, a explicação inteira da vida. E nada precisaria a mais ou a menos na sabedoria que já tinha. Ela era muito melhor que eu.

Mas eu cheguei a chorar pela Primavera. Eu implorei muito que ela perdoasse o meu inverno imaturo... Que ela viesse mesmo assim... Que mostrasse umas flores novas, que insistisse um pouco mais no meu jardim.

Acho que a Primavera sentiu meu medo. Tremeu os galhos para que as folhas caíssem, e me ofereceu uma longa estação quase fria onde eu pudesse me descobrir mais forte.

Mas é que no fundo, no fundo, eu não queria viver a Primavera sozinha. Era mais isso. Era um medo esquisito de amá-la sem mais ninguém. De ver suas copas cheias e acompanhar o ciclo, em silêncio, dia a após dia, sem um ombro mais largo onde eu pudesse repousar meus planos. Eu queria comentar sobre a Primavera com alguém que se sentasse ao meu lado e dissesse “veja isto, veja aquilo”; Me abraçasse... E então nós fôssemos cúmplices. Pai e mãe da Primavera, até o último fim.




Nenhum comentário:

Postar um comentário