Hoje eu esperei pela Primavera,
mas ela não chegou. Nenhuma flor nasceu. Mas ela disse que vinha - eu me
lembro; Era cedo ainda quando me avisou.
Eu cheguei a imaginar o perfume
da sua visita. Eu cheguei a senti-la perto... Cheguei a tocar uma pétala solta
que logo o vento se encarregou de levar. E quando eu a vi, soube
que era mulher. Ela era o caminho do meio, a explicação inteira da vida. E nada precisaria a mais ou a menos na sabedoria
que já tinha. Ela era muito melhor que eu.
Mas eu cheguei a chorar pela
Primavera. Eu implorei muito que ela perdoasse o meu inverno imaturo... Que ela
viesse mesmo assim... Que mostrasse umas flores novas, que insistisse um pouco
mais no meu jardim.
Acho que a Primavera sentiu meu
medo. Tremeu os galhos para que as folhas caíssem, e me ofereceu uma longa
estação quase fria onde eu pudesse me descobrir mais forte.
Mas é que no fundo, no fundo, eu
não queria viver a Primavera sozinha. Era mais isso. Era um medo esquisito de
amá-la sem mais ninguém. De ver suas copas cheias e acompanhar o ciclo, em
silêncio, dia a após dia, sem um ombro mais largo onde eu pudesse repousar meus
planos. Eu queria comentar sobre a Primavera com alguém que se sentasse ao meu
lado e dissesse “veja isto, veja aquilo”; Me abraçasse... E então nós fôssemos
cúmplices. Pai e mãe da Primavera, até o último fim.

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