Teria sido de muita utilidade na
minha infância se tivessem os adultos me falado muito menos sobre o tempo. A
consciência sobre o tempo atormentou meu caminho. Uma criança não deve temer a
passagem do tempo. E também teria sido de extrema importância que não tivessem
me levado para brincar no parque num dia em que tudo era absolutamente triste.
A contradição desse dia associou uma mancha de tristeza sobre todos as seguintes alegrias que eu ainda encontraria.
Mas visto que nada disso foi
feito e que cresci segurando um fio de pipa prestes a se romper ou escapar,
considero que a lição mais bonita teria sido justamente aprender a soltá-lo, e
que ainda estou em tempo de fazê-lo.
E como passei anos sendo
responsável pela linha, esqueci que ela era apenas um brinquedo. Endureci com
medo de endurecer. Porque é isso que o medo faz com a gente: Ele pega a coisa e
nos aproxima da coisa. Ninguém tem medo de terremoto no Brasil. A gente tem medo
é do que pode de fato nos atingir. Pois eu tinha muito medo de embrutecer diante da rigidez do que
vinha. Depois, aprendi: Nada existe de mais poderoso do que a suavidade.

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