Vi uma vez num casarão antigo do Bairro do Ipiranga, uma família (não sei se era uma família) espalhada pelos cômodos, cada qual tocando sua minúscula caixa de música. Os sons se sobrepunham e nenhum fazia sentido. Outras famílias (não sei se eram famílias) assistiam caladas, e um pai (que nunca foi pai) chorava. As caixas de música mal cabiam nos dedos, e só o fato de segurá-la com tanto apego impedia que qualquer outra melodia fosse escutada por quem tocava. Eu me olhei no espelho da sala de estar e fiquei na dúvida se eu era daquela família (não sei se era uma familia). Fui até a cozinha, fitei com dó uma avó que nunca foi avó e me sentei com ela para um café ao som das solidões dos outros (não sei se elas eram dos outros).
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