Elas entram no palco e eu me vejo. Eu acompanho meu próprio raciocínio – Ele ganha vida.
Eu ouço a música que eu escolhi para ser a voz do que eu sinto. Eu ouço o barulho inconfundível da pele em contato com o solo. O deslize e o peso.
O desenho, as rendas meio maduras, a tristeza embutida.
Eu as vejo e as amo por serem as letras das minhas cartas íntimas. Eu as amo por receberem meus sonhos escondidos e acreditarem neles junto comigo. Eu as amo pela confiança que depositamos umas nas outras, e por vê-las crescendo no mesmo caminho onde aos poucos eu envelheço.
A delicadeza que eu espero do mundo e a angústia de fazer parte dele. A beleza simples de um cabelo feminino ao vento. Tudo isso eu posso ver em questão de minutos. A novidade crua, o olhar de insegurança que escapa. Eu vejo cada falha – minha – por meio delas.
O detalhe dos dedos, minhas mãos tensas aparecem nelas.
Quando me dou conta, passaram-se meses. Passaram-se anos e nós seguimos juntas. Cada uma na sua época, compartilhando alguma coisa importante dos nossos universos.
Dou uma luz fraca no chão negro, e então elas dançam.
Quando acaba eu sinto como se mais uma vez eu tivesse brevemente existido.
(foto: Silvia Machado)
(foto: Silvia Machado)
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