Ohhh... Não me diga! –bocejo-. Certas pessoas me dão preguiça. Não consigo disfarçar uma incrível falta de entusiasmo para dar pulso a uma conversa. Preguiça até de falar dos assuntos que eu gosto. É que o problema definitivamente não é o assunto. Minha cabeça me ocupa com imagens sobrepostas, músicas que me inspiram movimentos, lembranças velhas e recentes, discussões inventadas... ah, já é tanta coisa pra administrar... E ainda existem os chatos! Não, não há vagas para os chatos nos meus serviços mentais. Que pareça egoísmo, mas não há nada mais incômodo do que interromper devaneios para atender um chato. Conversas internas não são desculpas para adiar inconveniências. Não se pode dizer “um momentinho, por favor, estou resolvendo algo seríssimo comigo mesmo”, e fechar os olhos ou se isolar num canto, esboçando expressões. E por quê? Por que se pode dizer “um momentinho, estou no telefone”, mas não se pode ter um momentinho ininterrupto para si mesmo? Quando você estava quase concluindo um pensamento... ou quase sorrindo ao lembrar de uma história... quase... “OLÁ!” – vem o chato. E o chato às vezes fala muito, lamenta muito, reclama muito, detalha muito... e aahhh que sooono. Não me ligue, não me mande correntes de email, não me convide! Eu estou com preguiça de explicar porque eu não vou no aniversário do amigo do amigo do parente distante... Eu estou com preguiça de atender a operadora de celular me oferecendo planos maravilhosos... Eu estou com preguiça de explicar pro banco Itaú que eu não quero fazer um seguro de vida. Eu não quero que limpem meu vidro no semáforo; que me despertem para as palavras de Jesus; que me agendem compromissos inadiáveis. Estou ocupada! É que ninguém vê, mas eu estou ocupada! Estou cheia de assuntos silenciosos... Juro!
Estou gastando muito do meu tempo com cartas de amor.
Estou gastando muito do meu tempo com cartas de amor.
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